No recente Movimento de Manifestação das Ruas no Brasil,
houve, entre outras coisas, uma novidade em interatividade coordenada de
comunicação: tratava-se das NARRATIVAS INDEPENDENTES, JORNALISMO E AÇÃO – NINJA
ou MÍDIA NINJA.
Quando me deparei pela primeira vez com o termo NINJA no
Movimento das Ruas, lembrei-me dos agentes secretos do feudalismo japonês. E o
pitoresco da situação é que o referido termo, utilizado pelos ativistas, veio
mesmo a calhar como agente de comunicação num universo cheio de adversidade à
iniciativa independente de informação.
A grande imprensa tentou desqualificar os militantes do NINJA
por todos os meios. Afinal, ela estava quase banida, pelos manifestantes, da
cobertura do Movimento das Ruas.
Mas como um grupo de jovens ousou enfrentar a polícia para
fazer a cobertura jornalística das Manifestações em tempo real? A tamanha
audácia foi a própria falta de informação sobre o Movimento que passou a
existir após o repúdio aos jornalistas da grande imprensa. Havia um vácuo de
informação no calor das Manifestações. Havia também necessidade de apoio da
sociedade aos Manifestantes. Como na grande imprensa há toda uma filtragem da
informação antes de chegar ao público, ela foi repudiada. Outro fator de
desgaste dela foi o histórico de comprometimento com quem está no poder
político e também com as grandes empresas privadas. Numa palavra, com os
agentes financiadores da própria imprensa.
Diante da descrença dos manifestantes de Rua ante a grande
imprensa, a Mídia NINJA foi a grande novidade. O famoso teórico canadense em
comunicação, Herbert Marshall Mcluhan, cunhou o termo: “o meio é a mensagem”. Para
ele, o veículo de informação é tão importante quanto a própria mensagem. Nesse
sentido, o “meio”, a grande imprensa, é um canal contaminado por interesses
escusos às Manifestações das Ruas.
Para efeito de ilustração, os adeptos do atual governo
central chamam a grande imprensa brasileira de Partido da Imprensa Golpista –
PIG. A meu ver, esse raciocínio é próprio de que tem visão canhestra de mundo.
Noutras palavras, a grande imprensa sempre é mais a favor do que contra o
governo de plantão. Alguém tem dúvidas quanto ao rumo das milionárias campanhas
de publicidades dos governos? Estendendo mais o assunto, o Partido dos
Trabalhadores só cresceu porque a grande imprensa lhe deu destaque. Ou os
militantes que chamam a grande imprensa de PIG acham que foi obra do divino
Espírito Santo a universalização da campanha do PT rumo ao poder? Para os
militantes adeptos do governo central, tudo que é noticiado contra esse governo
é golpe; já o que vem a favor, é capitalizado nas redes sociais como testemunho
de competência. Um estranho mundo de dois pesos e duas medidas. Há outra forma
também muito utilizada por esses militantes: todos que são contra a grande
imprensa golpista, são automaticamente aliados. Para eles, o inimigo do inimigo
é, por consequência, amigo.
O avanço da Mídia NINJA, então, como canal de comunicação, praticamente oficial, das Manifestações das Ruas, foi um “meio” que transformou a mensagem que chegava aos lares brasileiros. Não havia ilha de edição para a cosmética da informação, como acontece na grande imprensa. Não havia necessidade disso. A informação era bruta. Era mediada apenas pelos equipamentos eletrônicos que, comparados aos da grande imprensa, eram rudimentares. Dessa maneira, o que se perdia em qualidade da informação pela precariedade dos equipamentos, ganhava-se pela rapidez e fidedignidade aos fatos ocorridos. Era uma linha direta entre o fato e a informação. Esse barulho todo deixou aturdida a grande imprensa. Afinal, tudo que era informado e maquiado por ela tinha sabor de “requentando”. Havia uma novidade no ar: destemidas pessoas se propunham a uma nova forma de trabalhar a informação. Lá pelas tantas, até a poderosa Rede Globo rendeu-se a pujança informativa da Mídia NINJA, noticiando a prisão de um rapaz pela polícia carioca tal qual filmado pelos ativistas.
O avanço da Mídia NINJA, então, como canal de comunicação, praticamente oficial, das Manifestações das Ruas, foi um “meio” que transformou a mensagem que chegava aos lares brasileiros. Não havia ilha de edição para a cosmética da informação, como acontece na grande imprensa. Não havia necessidade disso. A informação era bruta. Era mediada apenas pelos equipamentos eletrônicos que, comparados aos da grande imprensa, eram rudimentares. Dessa maneira, o que se perdia em qualidade da informação pela precariedade dos equipamentos, ganhava-se pela rapidez e fidedignidade aos fatos ocorridos. Era uma linha direta entre o fato e a informação. Esse barulho todo deixou aturdida a grande imprensa. Afinal, tudo que era informado e maquiado por ela tinha sabor de “requentando”. Havia uma novidade no ar: destemidas pessoas se propunham a uma nova forma de trabalhar a informação. Lá pelas tantas, até a poderosa Rede Globo rendeu-se a pujança informativa da Mídia NINJA, noticiando a prisão de um rapaz pela polícia carioca tal qual filmado pelos ativistas.
A bem da verdade, a Mídia NINJA já existia desde 2011. Mas
como canal de informação de um grande movimento, como o deste ano, ela estava
praticamente no debute.
Para alguns analistas de comunicação, a Mídia NINJA pode ser
algo que venha arejar a combalida e tendenciosa grande imprensa. Um jornalismo
ativista que não encontra paralelo. Para outros, ela pode ser um “fogo de
palha”. Como não tem estrutura econômica que a sustente, poderá ser engolida
pela grande imprensa. Para um dos criadores dela, Bruno Torturra, a Mídia NINJA
já está trabalhando uma forma de arrecadar fundos para se sustentar enquanto
alternativa de imprensa. Ora, esses fundos não podem vir das empresas e nem dos
governos, senão o destino dela será o mesmo da grande imprensa.
Herbert Mcluhan foi genial ao captar, ainda
nos anos 60, aspectos da aldeia global em comunicação que se tornariam rotinas
50 anos depois: “Nessa aldeia a fronteira é eletrônica, o que está distante
dessa conexão fica à margem do “subúrbio global”.
Mcluhan defende a ideia que a imprensa retirou o ser humano do sentimento de
tribo, o colocando numa leitura individual e distante dos fatos; por outro
lado, a mídia eletrônica “retribalizou” o ser humano, colocando-o como receptor
instantâneo de fatos recém-ocorridos”.
Com a Mídia NINJA, a população ganhou com a informação
instantânea dos fatos. Contudo, esses ativistas terão agora que descobrirem
formas de sobreviverem como polo alternativo de informação social. Para o bem
ou para o mal, essa novidade informativa colocou em cheque a empoeirada grande
imprensa nacional.
LUIZ FERNANDO DA SILVA